7/19/2007

Vizontele (2001)

A chegada do primeiro aparelho de televisão causa confusão na pequena cidade de Hakkari, na Turquia. O povo que via no pequeno cinema a única opção de entretenimento fica curioso para conhecer o novo aparelho: o rádio com imagem, a "vizontele". O prefeito, sem saber como funciona o misterioso equipamento, pede ajuda para Emin, que todos chamam de loco e maníaco, fascinado por rádios, que concerta os aparelhos das pessoas da pequena cidade.
A população se divide: aqueles que vêm a "vizonete" como um avanço tecnológico, que só tragará melhorias para comunidade, entre eles o próprio prefeito da cidade, e aqueles que pensam no aparelho como uma arma do demônio, e contestam a chegada do novo equipamento, principalmente o dono do pequeno cinema, por prever sua perda de dinheiro com os ingressos, pois todos comentam que a "vizontele" é como um cinema na própria casa.
O filme relata as memórias do próprio diretor, Yilmaz Erdogan, que foi criado em Hakkari, e presenciou a chegada do primeiro aparelho de TV na cidade. Além de dirigir o filme junto com Ömer Faruk Sorak, Erdogan também interpreta o papel de Emin, o maluco da cidade, o personagem mais cativante da história.
Adoro esse tipo de filme que retrata os costumes, o dia-dia, as intrigas e felicidades de uma determinada comunidade. Em todas as obras que assisti com essa característica, principalmente As Bodas, é fácil perceber certos personagens que se enquadram em qualquer tipo de sociedade, de diferentes tipos de culturas, uma essência que está presente em qualquer ser humano, em qualquer recanto do mundo.

Por Anderson às 05:16


6/19/2007

Flandres (2006)

Esse é o segundo filme que assisto do diretor Bruno Dumont, e confesso que já virei fã. O primeiro que vi foi A Humanidade, depois fiquei muito interessado pela obra do cineasta francês e procurei assistir os outros filmes. Flandres conta a história de dois amigos, Barbe e Demester, que moram numa cidade do interior da França, cujo nome dá título ao filme, e se conhecem desde crianças, e apesar de serem amigos, mantêm uma fria relação sexual, mostrada no início do filme. Depois de Demester contar para Barbe que foi convocado pelo exército para uma guerra que nem ele sabe onde é, e os seus objetivos, ela o chama para um passeio no campo, e sem nenhuma palavra transam entre as folhas. Poderia ser romântico, se Barbe não transasse com a maioria dos homens do pequeno vilarejo.
As cenas coloridas da pequena cidade entram em contraste com as cenas da guerra na Tunísia, ambas com uma fotografia linda. A perfeição do som é tanta que até esquecemos que o filme não tem trilha sonora.
O filme ganhou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes de 2006, além de ser nomeado à Palma de Ouro. Vale a pena!
Obs: Para quem for baixar o filme, a legenda já está no torrent.

Por Anderson às 03:10


6/18/2007

Sommaren med Monika / Mónica e o Desejo (1953)

Monika e Harry se conhecem num bar e a partir desse momento não conseguem se separar. Ambos estão cansados dos problemas familiares e do trabalho e decidem largar tudo para passar o verão juntos, longe da cidade, num barco. As férias estavam indo bem, até Harry descobrir que Monika está grávida. A partir desse momento os problemas começam a aparecer, com a preocupação com a gravidez e a falta de alimento, assim, decidem voltar para a cidade para se casarem. Mas a promessa de uma vida feliz juntos começa a desmoronar depois da chegada do bebê. Monika com 18 anos, acha que tem que se divertir mais, enquanto Harry se esforça para estudar e conseguir um emprego melhor. O casamento vai se acabando aos poucos.
Monika se mostra apaixonada por Harry, mas no fundo percebemos que não é um sentimento tão profundo e inocente quanto aquele que Harry alimenta.
É incrível como podemos assistir um filme de 1953 e parecer tão atual, tanto na história, que acontece todos os dias, como no comportamento das pessoas. A cada filme que assisto do mestre Ingmar Bergman, fico mais apaixonado pela sua obra. Esse é o filme mais antigo que assisti dele, e é bem diferentes dos clássicos do diretor sueco, como "O Sétimo Selo", "Persona", "Morangos Silvestres" entre tantas outras perolas.

Por Anderson às 04:14